Betmarkets

Betmarkets: sports betting as an investment

 

The following blog post contains the news report that the newspaper O 1988 wrote about us [content in Portuguese]. We thank them for the invitation to be part of this new Entrepreneurship section and we wish them all the best:

 

Betmarkets: apostas desportivas como ativo de investimento

 

Apostas desportivas e ativos de investimento são dois conceitos que não se costumam interligar. Ainda assim, no final de contas, tudo se resume a dados e probabilidades. Quem melhor souber aplicar essa informação a um mercado que é, por definição, ineficiente – isto é, onde a larga maioria das pessoas perde – poderá obter ganhos sustentáveis no longo-prazo.A Betmarkets (www.betmarkets.io) é uma startup portuguesa criada por dois antigos estudantes da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, Afonso Vieira e André Flórido. A empresa desenvolveu uma plataforma onde qualquer pessoa pode investir em apostas desportivas ao replicar automaticamente as apostas de apostadores profissionais.

 

O Afonso jogou ténis a nível semiprofissional e é um espectador ávido da modalidade. Os seus amigos da faculdade, ao saberem disso, pediam-lhe sempre conselhos sobre as melhores apostas de ténis a colocar. “Eu dizia-lhes sempre que não queria ter a responsabilidade de decidir qual o destino a dar ao dinheiro deles”, contou-nos o CEO da Betmarkets.

 

Acrescenta ainda que “Sabia, no entanto, que havia apostadores profissionais que prestavam esse mesmo serviço através de uma subscrição. Então, organizámo-nos uns poucos e subscrevemos os serviços destes especialistas. Eu ofereci-me para ir fazendo a gestão diária deste fundo informal. Acabei por fazê-lo durante quase 3 anos e obtivemos um retorno de 170% no capital inicial.” No entanto, viu-se forçado a parar porque tudo era feito manualmente e, desta forma, exigia bastante tempo. “Subscrevíamos especialistas um pouco por todo o Mundo, pelo que eu tinha de estar ao computador às 7 da manhã para colocar as apostas do especialista de beisebol japonês e não me podia deitar antes da 1 da manhã, altura em que recebia as recomendações do especialista da NBA. Era insustentável…” Como não encontrou nenhum software que automatizasse o processo, deitou mãos à obra.

 

O projeto entra em discussões estratégicas entre aqueles que acabariam por ser os dois fundadores em janeiro de 2018 e o João Gil é contratado desde logo para começar o desenvolvimento do produto. A entrada no programa de aceleração ZeroGravity em março, e o respetivo recebimento de €40,000, permitem a entrada de um outro programador na equipa, o Tadeu Marques. É com esta equipa de 4 pessoas a tempo inteiro que a startup lança uma primeira versão de teste do produto para 30 utilizadores convidados – enquanto se recolhem emails numa lista de espera. Obtiveram mais de 1,000 registos – de 50 países diferentes – nessa lista de espera, provando que existia procura por um produto como o deles.

 

Através dos mentores do ZeroGravity, entram em conversações com a Shilling Capital Partners – investidores em startups de grande sucesso como a Unbabel, a Uniplaces e a Zaask – e levantam €150,000 em investimento. Em novembro, são selecionados como uma das três “Most Favourited Startups” a exibir no último dia do Web Summit e lançam uma segunda versão de teste do seu produto, desta vez aberta ao público. Neste momento, são 7 dedicados a este projeto, têm mais de 4,000 utilizadores ativos e estão apenas à espera da comunicação do regulador para operar.

 

A Betmarkets pretende transformar as apostas desportivas num ativo de investimento, aplicando a estas as análises que costumam estar reservadas aos mercados financeiros. Já Mark Cuban, reconhecido empresário americano e dono dos Dallas Mavericks da NBA, propôs esta perspetiva em 2006 no seu Blog Maverick: “Depois há as apostas desportivas. Como qualquer outro investimento, tudo se resume a se há disponível boa informação, a quem a sabe usar melhor, com quem se está a competir e se eles são inteligentes ou não. […] E estatísticas? Meu Deus, nem são comparáveis [com as disponíveis sobre as empresas]”.

 

Ao contrário das interações tradicionais entre apostadores profissionais e os seus subscritores, na Betmarkets não há lugar a qualquer pagamento mensal à cabeça. Alternativamente, a empresa optou por estabelecer um regime de partilha de lucros: os clientes só pagam ao apostador profissional se este lhes trouxer resultados e a Betmarkets fica com uma percentagem. Assim, os interesses de todos os intervenientes estão alinhados. O modelo de negócio é equivalente ao usado por outras plataformas de investimento social – ou seja, onde se replica as ações de uma outra pessoa – como a eToro, Zulutrade e ayondo. Juntas, têm já mais de 10 milhões de clientes e um valor estimado superior a mil milhões de euros.

 

O André Flórido, que já trabalhou em banca de investimento no Citi e tem um MSc Hons Financial Analysis da London Business School, afirma: “As apostas desportivas podem ser um produto financeiro porque conseguimos medir previamente a vantagem de um apostador profissional face ao mercado, ou seja, a sua capacidade de obter lucros no longo-prazo, e porque um investimento neste setor é completamente independente dos mercados financeiros, mantendo o seu perfil de risco/retorno mesmo nas mais graves crises económicas.”

 

Explica ainda que “o primeiro ponto é conseguido ao medir se o apostador consegue, em média, abrir uma posição a um payout – odds – superior àquele ao qual o mercado avalia como sendo justo – odds existentes segundos antes do início do encontro, depois de ajustadas pela margem cobrada pelas casas. Pensem nisso como comprar uma ação que está subvalorizada e que, por isso, permite rendimentos superiores no futuro. O segundo é fundamental numa altura em que os investidores procuram manter a diversificação dos seus portefólios, mas em que os ativos tradicionais estão cada vez mais correlacionados. Se a Apple sobe, todas as tecnológicas sobem, e o resto do mercado segue essa tendência.”

 

Sendo o jogo uma atividade que pode ter consequências nefastas para os que não conseguem interagir com este de forma responsável, trabalhar tendo em vista um crescente apoio a estes indivíduos é também uma prioridade destes empreendedores. “Temos uma forte vertente educacional no nosso blog e excluímos os nossos utilizadores do processo de decisão das apostas, passando a responsabilidade ao profissional, pelo que não há o perigo de adição ao nosso produto” garante o Afonso. Também as partidas combinadas são visadas pela empresa, por desvirtuarem o desporto em geral e por serem um risco para a análise de cada encontro, efetuada pelos especialistas.

 

Para este ano, e sempre dependendo da receção da decisão regulatória, colocam o objetivo de atingir os 10,000 clientes e de concluir uma outra ronda de financiamento. Esta última providenciará o investimento necessário à obtenção de uma trajetória acelerada de crescimento. Na próxima semana, a Betmarkets exibirá no Collision – conferência do Web Summit em Toronto – a convite da Startup Portugal.

 

Questionámos ainda estes dois empreendedores sobre qual o melhor conselho que dariam a alguém que quisesse criar a sua própria empresa. “Testem primeiro o mercado para ver se este está recetivo à vossa ideia. Procurem as dificuldades dos consumidores e só depois criem produtos/serviços para as resolver, nunca o contrário” é a resposta do Afonso. Por seu lado, o André afirma que “Uma ideia brilhante é sempre superada por uma execução de elevada qualidade, pelo que se devem preocupar primeiramente em ter os melhores ao vosso lado, e apenas depois em resolver todos os pequenos problemas que encontrem no conceito.”

 

Por último, se ficaram curiosos com a Betmarkets e quiserem experimentar a plataforma nesta versão Beta, podem usar o código CBS155 aquando do registo para usufruir de €20 de bónus para investir, em vez dos habituais €10. A plataforma ainda não aceita depósitos e estes bónus serão retirados aquando do lançamento oficial da mesma. Em contrapartida, os utilizadores poderão ficar com todos os lucros desta versão como crédito em futuras comissões dos especialistas. Na eventualidade de uma perda nesta versão, esta é assumida integralmente pela plataforma, pelo que não há risco.

 

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